A REFORMA PROTESTANTE E O MOVIMENTO PENTECOSTAL: Quando a Reforma pegou “fogo”!
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Em
31 de outubro de 2020 iremos comemorar 503 anos da Reforma Protestante, reforma
esta que promoveu um abalo no mundo medieval e que serviu de base para a
construção da modernidade.
A
Reforma Protestante tem como deflagrador um monge chamado Martinho Lutero, que insurgiu
contra os abusos doutrinários cometidos pelo Papa e a Igreja Católica. No
século XVI, mas precisamente no dia 31 de outubro de 1517, Lutero, inconformado
com o sistema de indulgências, apresentou ao mundo 95 teses denunciando os
abusos papais e pedindo que o Papa e a Igreja Católica convergissem suas
práticas e doutrinas para a Bíblia, somente para ela.
Como
muito bem destaca o teólogo e historiador Roger Olson, o movimento protestante
não somente herdou suas bases de Martinho Lutero, mas, também, foi instaurado
diretamente por ele. Vejamos:
“A
maioria dos historiadores atribuiu o raiar da grande Reforma do século XVI a um
único dia de 1517. No dia 31 de outubro desse ano, um monge agostiniano,
catedrático de teologia na Universidade de Wittenberg, chamado Martinho Lutero,
afixou noventa e cinco teses (questões para debate) na porta da catedral da
cidade onde ensinava. Suas teses insinuavam que a única igreja oficial da
cristandade ocidental – a igreja de Roma – incorria em graves erros. Em
questões de meses, toda a Europa lia as teses de Lutero, graças ao novo invento
de Gutenberg: a presença com tipos móveis” (OLSON, “História da Teologia
Cristã”, pg. 380, 2001).
Existem
diversos fatores que levaram Martinho Lutero a manifestar seu inconformismo
contra o Catolicismo Medieval, dentre eles: a clericalização da liturgia,
transformando os membros da igreja, que não tinham cargos eclesiásticos, em
meros espectadores do culto, estes não podiam participar ativamente da
liturgia; o desvio doutrinário, pois o cristianismo medieval, apesar de
formalmente assumir posições teológicas bíblicas, sua teologia popular era
pelagiana, ensinando uma salvação pelas obras; o declínio moral do clero
foi outro fator determinante para o protesto de Martinho Lutero, pois, em
decorrência dos desvios doutrinários, da clericalização da liturgia e da
simonia (venda de cargos eclesiásticos), o clero passou a ser composto por
homens imorais, desonestos e, portanto, carnais. Neste contexto, Martinho
Lutero deflagrou um movimento de reforma da igreja a fim de que o cristianismo
voltasse a ser genuinamente bíblico e cristocêntrico.
O
movimento da Reforma Protestante deu origem a quatro tradições protestantes: Os
luteranos, os Reformados, os Anabatistas e, por fim, os Anglicanos. Todas estas
tradições protestantes possuem cinco pontos em comum que as unem como
denominações protestantes, quais sejam: Sola Gratia (somente a Graça), Sola
Fide (somente a Fé), Sola Scriptura (somente as Escrituras), Solus
Christus (somente Cristo), Soli Dio Glória (somente a Deus a
Glória).
Desta
forma, a Reforma Protestante surge para responder a seguinte pergunta: “Como
os pecados são perdoados e como alguém pode ser salvo?”
Os
protestantes respondem: Pela Graça e mediante a fé, somente!
1) ENTENDENDO OS 5 “SOLAS”:
Como
já dito, existem cinco pilares da Reforma Protestante que constitui a base do
Protestantismo. Esses pilares, conhecidos como “solas”, são mais que
proposições teológicas, pois constituem a mensagem central do evangelho, a luz
da Bíblia.
Os
5 “solas” são: Sola Gratia (somente a Graça), Sola Fide
(somente a Fé), Sola Scriptura (somente as Escrituras), Solus
Christus (somente Cristo), Soli Dio Glória (somente a Deus a
Glória).
Sola Gratia: A
Bíblia ensina que somos salvos exclusivamente pela Graça e, por isto, nossa
salvação jamais poderá ser obtida pelas obras humanas, por melhores que pareçam
ser. Em Efésios 2:8 lemos esta verdade: “Porque
pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus”.
A Graça de Deus é Deus em ação a favor de homens indignos e, portanto,
não merecedores do favor divino. Quem já mereceu o favor divino? Que homem pode
tornar Deus seu devedor? Quais, dentre os mortais, podem exigir merecidamente o
favor divino? NINGUÉM merece o favor divino! NENHUM homem pode se tornar credor
de Deus! NÃO temos o direito de exigir nada de Deus! Nascemos corruptos e
indignos, nascemos, apenas, merecedores do inferno!
Mas, mesmo diante da nossa corruptibilidade e indignidade, Deus decidiu
demonstrar seu favor imerecido, ele nos revelou sua maravilhosa Graça. O Criador
decidiu nos dar vida, quando ainda estávamos mortos nos nossos pecados e
delitos; O Todo-poderoso decidiu nos revestir de poder, mesmo nós não possuindo
nenhuma força espiritual própria; O Médico dos médicos decidiu nos curar,
estando nós cheios de enfermidades malignas; O Emanuel (Deus conosco) decidiu
nos dar sua presença, mesmo estando nós destituídos de sua glória; O Senhor dos
exércitos decidiu nos dar vitória, mesmo nascendo nós derrotados pelo pecado;
Aquele que é Santo, Santo e Santo decidiu nos dar um lar no céu, mesmo sendo
nós andarilhos nesta terra, sem lar, sem descanso. Deus decidiu nos salvar,
mesmo nós não merecendo!
Assim sendo, a doutrina as salvação pela graça expõe algumas verdades:
não somos nada sem Deus; não existem nenhum homem melhor que o outro, pois
todos são igualmente pecadores diante de Deus; porém, todos possuem a mesma
oportunidade de serem salvos pelo favor imerecido de Deus.
Sola Fide: Se somos salvos pela
graça, também é verdade que a fé é a causa instrumental da nossa salvação. Em
outras palavras, a fé é a condição para sermos salvos! A graça de Deus
só é aplicada ao homem através da Fé, pois esta é o instrumento pelo qual Deus
comunica sua maravilhosa graça salvadora ao pecador.
Logo, se a fé é a única condição, não precisamos de mediadores, amuletos
consagrados ou campanhas mirabolantes para gozarmos dos benefícios da graça
salvadora. Para sermos salvos e desfrutar dos benefícios da graça só é preciso
fé!
O coxo do tanque de Betesda (Jo 5) procurava sua cura através de suas
obras, mas, quando viu Jesus passar, percebeu que suas obras eram insuficientes
e que a solução para seu problema estava em Cristo. Quando o coxo abandonou o
tanque e exerceu fé em Cristo, foi curado e, por fim, salvo! Somente a fé!
Abandone a sua busca pelo tanque e exerça fé em Cristo, só assim sua
vida sofrerá uma boa revolução! O segredo é a fé, somente!
Sola Scriptura: O
princípio do Sola Scriptura institui uma obrigatoriedade a todo cristão
genuíno, qual seja: a Bíblia deve ser a nossa única fonte de fé e prática,
somente a Bíblia.
Infelizmente,
atualmente, muitos cristãos nunca leram a Bíblia toda. Como teremos uma vida
cristã genuína se não conhecemos integralmente a Palavra de Deus?
Muitos
têm substituído a primazia e exclusividade das Sagradas Escrituras pelas
experiências pessoais, pelas convicções ideológicas, pelo cientificismo ateísta
ou pelo progressismo político. Para estes “cristãos”, a base das suas crenças e
práticas não é a Bíblia, mas suas experiências pessoais, mesmo que violem a
Palavra de Deus.
A
igreja do século XXI precisa, a semelhança de Martinho Lutero, convergir
novamente para a Palavra de Deus, a Bíblia. Pois somente ela pode nos
redirecionar para o caminho que é Cristo!
Solus
Christus: Se somos salvos pela Graça e a
fé é a causa instrumental de nossa salvação, Jesus é a causa meritória de nossa
salvação, somente Cristo!
Somos
salvos exclusivamente pela obra expiatória de Cristo. Assim, todas as coisas
são para a glória de Jesus. O universo, o nosso planeta, a natureza, nossas
vidas, tudo o que existe deve glorificar ao nome do Senhor Jesus, pois é
somente nele que temos vida e seu poder sustenta todas as coisas.
“Em
quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a
criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra,
visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam
potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e
todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1:14-17).
É
por isto que o protestantismo genuíno é marcado por seu Cristocêntrismo, pois
Cristo é o centro da liturgia da igreja, é o centro do relacionamento
espiritual do crente, é o centro da vida do salvo, é o centro da adoração, é o
centro da nossa existência. Pois, todos que recebem a Cristo como salvador, passam
pela mesma experiência que Paulo:
“Já
estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a
vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se
entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20).
Se
Cristo vive em mim, e não vivo mais eu, logo, Cristo é Senhor absoluto da minha
vida. Sendo assim, os meus desejos morrem e os desejos de Cristo para minha
vida vivem; meus sonhos e projetos morrem e prevalecem os sonhos e projetos de
Cristo na minha vida; minha vontade morre e prevalece a vontade de Cristo em
minha vida.
A
igreja moderna precisa voltar a ter Cristo como centro, pois só assim
promoveremos uma genuína reforma espiritual e doutrinária!
Soli
Deo Glória: Quando exercemos fé em Cristo, somos salvos
pela Graça e, assim, passamos a viver centrados em Cristo. Desta forma, tudo o
que Deus faz por nós e tudo que fazemos pela Graça é para a glória de Deus!
O
verdadeiro cristão não busca glória para si, mas é glorificador de Deus.
Devemos
viver nossas vidas para a glória de Deus, mas, como vivemos para a Glória de
Deus?
Simples.
Sendo completamente fiel a Deus até o último suspiro de vida!
2) IGREJA
REFORMADA, SEMPRE EM REFORMA!
Como a
história da humanidade é cíclica, o Protestantismo não parou no tempo, mas foi
se renovando a fim de que pudesse promover a manutenção da convergência em
Cristo. Assim sendo, os Luteranos promoveram uma reforma interna que fez surgir
o Pietismo; os reformados, buscando renovar sua teologia e a centralidade de
Cristo no processo de salvação, deram origem ao Arminianismo; Os Anglicanos
deram origem ao Puritanismo e ao Metodismo.
O
Pietismo enfatizava a vida cristã na prática, pois ensinavam que não bastava
ser um cristão de mente (conhecer todas as doutrinas e proposições teológicas),
mas era preciso ser um cristão de coração, mantendo uma ortopraxia tão santa
quanto a ortodoxia, sendo santo como Cristo é santo.
O
Arminianismo enfatiza a expiação ilimitada de Cristo, ensinando que Jesus
morreu a fim de obter salvação para todos os homens e que os salvos são eleitos
em Cristo e, portanto, Jesus foi o primeiro eleito e todos os que exercem fé
Nele são, também, eleitos por Ele. Desta forma, o homem é moralmente
responsável pelas suas escolhas diante de Deus, devendo sempre escolher ser
obediente a Cristo, perseverando na fé, a fim de que possa ser transformado na
imagem e semelhança de Cristo.
O
Metodismo enfatiza a santificação e a necessidade da capacitação divina para
que o homem pudesse andar em santidade. Desta forma, o metodismo ensinava que
existe uma experiência subsequente a regeneração que todo salvo precisa passar
a fim de que possa ser santo diante de Deus, esta experiência é o Batismo no
Espírito Santo.
2.1) A
REFORMA PEGA “FOGO”
No
início do século XX, o protestantismo se vê em uma nova reforma, onde irmãos
influenciados pelo Pietismo, Arminianismo e o Metodismo, experimentam um
avivamento que marca a história do protestantismo, o Avivamento da Rua Azusa.
A
partir do Avivamento da Rua Azusa, surgi o Movimento Pentecostal cuja ênfase
está na ação carismática do Espírito Santo e na experiência do Batismo no
Espírito Santo como sendo algo distinto e subsequente a Regeneração.
O movimento
pentecostal colocou fogo no coração dos protestantes!
O
Pentecostalismo Clássico introduziu, por assim dizer, um sexto “sola” na
Reforma Protestante, qual seja: Solus Spiritus Sanctus (Somente o
Espírito Santo). Pois, enfatiza que a Igreja do Senhor Jesus é, e deve ser,
guiada pelo Espírito Santo e que, por sua vez, o Espírito de Deus nos guia
através da sua ação convencedora, carismática e cristocêntrica. É o Espírito
Santo quem nos convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8) a fim de que
possamos ser salvos; é o Espírito Santo quem concede dons espirituais a
Igreja a fim de que a grei possa ser
capacitada a pregar o evangelho de Cristo (1Co 12); por fim, é o Espírito Santo
aquele que nos converge a Cristo, levando a Igreja a olhar unicamente para
Jesus (Jo 16:13-14).
Desta
forma, Solus Spiritus Sanctus revela duas verdade: Primeiro, mediante
sua ação convencedora (Jo 16:8), o Espírito Santo nos batiza em Cristo, nos
convertendo, regenerando e justificando Nele. Depois, de forma subsequente,
Cristo nos batiza no Espírito Santo, revestindo o salvo de poder a fim de
capacitá-lo a cumprir o IDE (Mc 16:15) e a viver em comunidade cristã
organizada.
Como saber se um movimento de reforma é
genuinamente bíblico? Simples. Se este movimento for levantado e guiado pelo
Espírito Santo, certamente este movimento será marcado pelo Cristocêntrismo.
Desta forma, o cristocêntrismo do Pentecostalismo
pode ser facilmente percebido pela celebre frase pentecostal: “Só Jesus salva,
cura, batiza com Espírito Santo e breve vem”. O Movimento Pentecostal
é marcado pelo seu Cristocêntrismo, evidenciando
o papel do Espírito Santo de nos revelar Cristo – Jo 16:13-14.
Atualmente,
existem, aproximadamente, 630 milhões de pentecostais espalhados pelo mundo
(correspondendo a 70% dos protestantes), pregando que “só Jesus salva, cura,
batiza com Espírito Santo e breve vem”.
Desta forma, todo pentecostal clássico é
protestante, pois crer nos cincos princípios da Reforma Protestante (Sola Gratia, Sola
Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Soli Dio Glória),
porém, também hasteia a bandeira do Solus Spiritus Sanctus.
3) DA
NECESSIDADE DE UMA REFORMA
Infelizmente, o neopentecostalismo abandonou as bases do protestantismo e, por
isso, deixou de ser uma denominação protestante. Ironicamente, todos os erros
que justificaram o protesto de Martinho Lutero têm sido reiteradamente
praticados por tais denominações.
A clericalização da liturgia tem reaparecido no meio neopentecostal, transformando os membros em meros espectadores ou em meros clientes; os desvios doutrinários têm sido marca registrada dos neopentecostais; e o declínio moral do clero tem trazido escândalos irreparáveis para a obra de Deus.
No neopentecostalismo, a experiência tem tomado
o lugar da Bíblia; a Graça está sendo substituída pelas obras; a Fé tem sido
mercantilizada; O homem passou a ser o centro da liturgia e da fé cristã e Cristo tem se tornado um mero auxiliador;
Homens gananciosos tem buscado glória para si em detrimento a glória de Deus; a
ação do Espírito Santo tem sido substituída por mensagens retóricas e de marketing
que visa a capitação de “clientes da fé” e que, portanto, não produz mudança de
vida.
Tais denominações neopentecostais não são nem
pentecostais clássicas e, por consequência, nem protestantes. São denominações sincréticas,
cuja suas práticas são compostas por doutrinas e práticas importadas de
diversas religiões e diversas heresias.
Uma reforma é necessária, pois Jesus está
voltando e só ouvirá o toque da trombeta do arrebatamento aqueles que tiverem
Jesus, e somente Ele, como alvo de suas vidas.
É preciso que Deus levante reformadores que, a
semelhança de Martinho Lutero, lute pela verdade bíblica, que busque, através
da ação do Espírito Santo, convergir os pecadores a Cristo. Precisamos nos
insurgir contra estes abusos espirituais e doutrinários, levantando as
bandeiras do Sola Gratia,
Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Soli Dio
Glória e Solus Spiritus Sanctus.
E aí,
você está disposto a ser um reformador?
Pb. Diego Natanael.
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